De competidor a mentor: experiência e conhecimento compartilhados
- Detalhes
- Última Atualização: Domingo, 08 Março 2026 09:13
“Ser mentor é ensinar, inspirar e aprender”, define Filipe William Cavalcante, de 16 anos. Com a experiência de três temporadas como competidor da First Lego League Challenge (FLLC), ele agora se dedica a orientar e apoiar aqueles que dão os primeiros passos no mundo da robótica. Na condição de mentor, Filipe está no Festival Sesi de Educação, em São Paulo, com a equipe do Sesi-DF Albatroid, a mesma em que começou sua trajetória nesse universo.
A FLLC é uma das modalidades de competição da First — For Inspiration and Recognition of Science and Technology, organização estadunidense promove o interesse de crianças e jovens por ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Os estudantes, de 9 a 15 anos, precisam montar e programar robôs com a tecnologia Lego e desenvolver um projeto de inovação.
Estudante da 2ª série do Ensino Médio do Sesi Taguatinga, Filipe leva no currículo participações em competições de nível regional, nacional e internacional. “Decidi ser mentor porque, da mesma forma que aprendi, eu tenho que repassar o conhecimento. É muito legal poder ensinar um amigo, porque já passei por aquela experiência e agora tenho uma visão um pouco diferente do processo”, diz.
A Albatroid também foi a equipe de Gabriel Antunes, de 26 anos, que concluiu o Ensino Médio no Sesi Taguatinga em 2017 e é físico pela Universidade de Brasília (UnB). Ele acumula 13 anos de experiência em competições de robótica da First: foi competidor, mentor, técnico, anjo (estudante voluntário que dá apoio à organização do evento) e juiz. Nesta temporada, é mentor da equipe Aion-X, que, assim como a Albatroid, é formada por estudantes do Sesi Taguatinga.
As experiências em sala de aula como aluno e, agora, como professor, caminham juntas. “Tem muitos conceitos que a gente traz que os meninos não vão conseguir compreender sozinhos, porque é um conhecimento mais avançado. Então, a gente tenta, de forma lúdica, trabalhar isso para que eles consigam entender e levar para o trabalho deles”, conta Gabriel.
Gerente de Desenvolvimento e Tecnologia Educacional do Sesi/Senai-DF, Thaysa Tonhá vê os mentores como referencial para os demais estudantes, especialmente pela trajetória que percorreram, que serve de inspiração. “As equipes têm professores na função de técnicos, mas os mentores falam a linguagem do competidor e muitas vezes têm idade parecida, são da mesma geração; nesse sentido, têm papel fundamental no acompanhamento do time”, explica.
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Além da velocidade
Na Stem Racing, os mentores também têm papel importante. Nessa modalidade de competição, estudantes 14 a 19 anos são desafiados a projetar protótipos de carros de corrida para acelerar em uma pista de 20 metros de comprimento. As equipes ainda precisam preparar um plano de negócios, buscar apoiadores e pensar em marketing e em estratégias para mídias sociais, além de desenvolver um projeto social.
Helloisa Inaba, de 18 anos, dá suporte à escuderia Harpia, do Sesi Gama, que integrou por duas temporadas. “Como mentora, busco trazer toda a experiência vivida em torneios das minhas temporadas e assim auxiliá-los e evoluir com eles”, resume. Após concluir o Ensino Médio na instituição, ela cursa a faculdade de Design Gráfico, influenciada pelo que viveu com a equipe: “Eu me apaixonei pela área justamente pelo rebranding que fizemos na minha primeira temporada. Por meio do design, a gente mostra a marca da empresa, o que ajuda a equipe a se posicionar para além da criação do carrinho”.
Na escuderia Axis, do Sesi/Senai Sobradinho, os recém-formados Davi Penha, de 18 anos, e Matheus Pires, de 17, observam atentos o trabalho da nova formação do grupo. “O que nos leva a ser mentores é o amor pela equipe. Viemos de um processo pelo qual fomos transformados e queremos ajudar a equipe e fazê-la crescer mais e mais”, ressalta Davi, que cursa Ciência da Computação.
Quando competiam, Davi atuava na gestão de projetos e Matheus era engenheiro da escuderia. “Cada um hoje ajuda bastante na área à qual pertenceu. O cargo de mentor é extremamente importante dentro da competição e é muito gratificante para nós estar nessa posição, ajudar efetivamente”, afirma Matheus.
Festival Sesi de Educação
Seis times representam o Sesi-DF no festival. Na FLLC, além da Aion-X e da Albatroid, compete a Atomics, cujo mentor é o ex-competidor Pedro Paulo Balbino. Na Stem Racing, as escuderias Axis e Harpia defendem a instituição. A Robot’s District, por sua vez, compete na First Robotics Competition (FRC).
Acompanhe a participação das equipes do Sesi-DF no festival também pela página do Sesi-DF no Instagram (@sesi_df).



