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Observatório Nacional da Indústria e Fibra apresentam ao governo do DF alternativas de desenvolvimento industrial
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- Publicado: Quarta, 26 Novembro 2025 10:22
Anualmente, o Brasil consome 20 bilhões de dólares em fertilizantes e defensivos agrícolas. Apenas em bioinsumos, a agricultura nacional usa por volta de 1,5 bilhão de dólares por safra, com a possibilidade de esse valor chegar aos 3 bilhões de dólares em 2030.
Ao trazer esses números para a realidade local, o Distrito Federal e Goiás consumiram, em 2025, algo em torno de 180 milhões de dólares em bioinsumos agrícolas. São produtos essenciais para a agricultura, como biofertilizantes, biopesticidas e bioestimulantes.
Grande parte desses produtos hoje é importada, mas poderia ser uma grande oportunidade para o futuro da indústria do DF. O mapeamento é do Observatório Nacional da Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizado em parceria com a Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra). A partir de necessidades de consumo da economia local, o estudo apresentou alternativas que, se incentivadas, podem dar nova perspectiva à economia do DF a partir do desenvolvimento industrial.
A apresentação do estudo ocorreu em 24 de novembro, no Observatório, na sede da CNI, no Setor Bancário Norte. O presidente da Fibra, Jamal Jorge Bittar, abriu o encontro, que teve a participação da vice-governadora do DF, Celina Leão, do secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda, Thales Mendes Ferreira, de representantes do governo DF, de membros da diretoria da Fibra e de presidentes de sindicatos filiados à Federação.
Mudança da matriz econômica do DF
O Observatório Nacional da Indústria é uma estrutura de inteligência que, por meio de corpo técnico multidisciplinar, analisa dados de mais de 200 bases para produzir estudos.
O superintendente do Observatório, Marcio Guerra, fez a apresentação. “A indústria tem como característica a geração de empregos que pagam salários maiores que a média dos outros setores e esse fator precisa ser levado em consideração quando se buscam caminhos de incentivo ao desenvolvimento”, afirmou. Como exemplo, Guerra comparou duas regiões administrativas: a Fercal, que tem forte parque industrial, com alto nível de automação, e o Itapoã, com atividades de baixa tecnologia e menor industrialização. Na Fercal, o salário médio é de R$ 7,3 mil. No Itapoã, R$ 1,8 mil.
Para a vice-governadora, Celina Leão, estudos como esse são importantes para o debate sobre o futuro do DF. Segundo ela, já havia no ambiente de governo discussões sobre novas possibilidades para o desenvolvimento econômico local. “Sou uma entusiasta da tecnologia e nosso quadrilátero precisa de uma transformação no eixo econômico. O que a Fibra nos entrega é esse estudo detalhado que vai dar apoio nessa transformação”, disse a vice-governadora, que se comprometeu a criar um núcleo de trabalho dedicado ao tema, liderado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda.
Desenvolvimento estruturado
A proposta da Fibra para o governo do DF é realizar ações cada vez mais integradas na busca de soluções estruturadas para o desenvolvimento industrial. Guerra apresentou a possibilidade da construção de roadmaps, que são trilhas traçadas desde a análise da viabilidade de um negócio até a implantação. O mapeamento seria feito por meio da análise de dados já existentes na base do Observatório cruzados com informações do governo local. “É possível identificar produtos de alto valor agregado com bom nível de consumo local, buscar fora do País onde estão os centros de pesquisa e produção, enviar pesquisadores e trazer para o DF conhecimento para que esses produtos sejam fabricados aqui”, disse o superintendente do Observatório.
Foco da apresentação, a indústria de bioinsumos já tem empresas atuando no DF e pode ser um caminho viável. Se fortalecida, pode gerar mais de 21 mil empregos diretos e ser um dos caminhos para a redução do nível de desemprego no DF.
Para que essa mudança da matriz econômica do DF se viabilize, o presidente da Fibra citou a importância de que o governo local esteja cada vez mais conectado ao processo de fortalecimento do setor industrial, especialmente diante dos benefícios que o setor traz. “Cada real investido na indústria traz retorno de, em média, R$ 2,44 para a sociedade, valor muito superior à média de outros setores da economia”, disse Jamal. “A indústria movimenta uma cadeia que impulsiona todos os outros setores da economia. Quando se investe na indústria, são criados quatro empregos no setor de serviços. Se a indústria for de alta tecnologia, cada emprego industrial resulta em sete em serviços”, concluiu.
Neoindustrialização
No encontro no Observatório Nacional da Indústria, a Fibra entregou aos participantes a publicação Neoindustrialização – Oportunidades para a Implementação da Pauta da Indústria do DF. O documento é uma seleção de 14 ações constantes do Plano Plurianual do Distrito Federal (quadriênio 2024–2027) e da Nova Indústria Brasil, política industrial lançada pelo governo federal no início do ano passado. São as ações, na avaliação da Federação, com maior potencial e viabilidade para estimular a atividade industrial no DF.
A publicação complementa a Pauta da Indústria 2023–2026,, lançada em 2022. Referência para a interlocução com os Poderes Executivo e Legislativo locais, consiste em um conjunto de diretrizes para o desenvolvimento socioeconômico do Distrito Federal impulsionado pelo setor.
Texto: Nilson Carvalho
Fotos: Lula Lopes/Sistema Fibra
Assessoria de Comunicação do Sistema Fibra
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