Alunos do Sesi e do Senai-DF vivem o sonho do mundial de robótica
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- Criado: Quinta, 07 Mai 2026 18:16
Cinco da manhã. Desperta, levanta, toma banho, segue para o café da manhã, entra no ônibus. O destino: o maior torneio de robótica do mundo, o First Championship. Essa foi a rotina matinal de 17 estudantes e quatro professores e instrutores do Serviço Social da Indústria do Distrito Federal (Sesi-DF) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do DF (Senai-DF) em quatro dias de competição.
De 29 de abril a 2 de maio, em Houston, no estado do Texas, nos Estados Unidos, eles vivenciaram o desejo de qualquer competidor: chegar ao ápice da respectiva modalidade.
O torneio mundial encerra cada temporada de torneios da organização estadunidense For Inspiration and Recognition of Science and Technology (First), que promove o interesse de crianças e jovens por ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No Texas, as melhores equipes de diversos países demonstram seus conhecimentos em diferentes modalidades de disputas de robô — há aqueles de Lego e até os de porte industrial, com até 56 quilos.
São crianças, adolescentes e jovens dividindo a paixão pela tecnologia, pela inovação e pela ciência. O ambiente é de muita alegria e interesse. Há gargalhadas e sorrisos soltos, olhares atentos e curiosos a tudo que está à frente e uma grande mistura de idiomas: “De onde você é?” “Where are you from?” “¿De dónde eres?” “Woher kommst du?”
Ali, todos os times buscam por uma premiação, mas a torcida pelo outro é genuína. Os competidores trocam dicas, ajudam quando há imprevistos e dão acalento se alguém não vai bem em uma partida. E os professores e instrutores? Conversam uns com os outros sobre os desafios que enfrentaram e compartilham metodologias e técnicas utilizadas para construção dos robôs e dos projetos.
É assim que se veem na prática os core values — valores fundamentais —, quesito que trata de manter a competição amigável, compartilhar conhecimento e trabalhar em equipe. É preciso manifestar entusiasmo e mostrar que se pode realizar mais em grupo do que individualmente, além de expressar gentileza com todos os envolvidos no evento.
Embora os robôs montados e programados pelos times dominem a competição mundial, os estudantes também têm de pesquisar, planejar e criar soluções que tratem de problemáticas reais. São questões com impacto social, ambiental e cultural.
Alguns estão ali pela primeira vez e outros já até se acostumaram àquela experiência. No caso do Distrito Federal, a equipe Albatroid, da modalidade First Lego Legue Challenge (FLLC), conquistou o prêmio Rising All-Star, concedido a equipes estreantes no mundial que demonstraram conhecimento sobre a competição, domínio das temáticas do torneio, espírito de equipe e alto potencial de crescimento. Premiada três vezes nacionalmente pela Excelência em Engenharia do Robô, a Robot’s District, da modalidade First Robotics Competition (FRC), foi ao mundial pela segunda temporada consecutiva.
No fim, o que posso afirmar, como alguém que nunca havia vivido o First Championship, é que algo surreal e único. Eu, uma jornalista brasiliense que já cobriu torneios escolares, regionais, nacionais e um internacional de robótica fico sem palavras para expressar em texto a grandiosidade do mundial.
Uma certeza de todos os envolvidos, direta ou indiretamente, é que a robótica cria e transforma. Quem a vive entende o impacto e o valor que ela tem para a educação de crianças e jovens.
Nas escolas da Rede Sesi-DF de Educação a educação tecnológica faz parte da grade curricular de todos os estudantes, em atividades de programação e robótica e de desenvolvimento do pensamento computacional. Aqueles que se identificam com a robótica podem concorrer a uma vaga para compor uma das equipes que representam a instituição em torneios.
A robótica em números
Competiram no First Championship 2026 mais de 50 mil estudantes de 66 países. Participaram 17 equipes brasileiras de nove estados e do Distrito Federal. A delegação foi liderada pelo Departamento Nacional do Sesi, operador oficial dos torneios da First no Brasil.
Durante as cerimônias de encerramento da edição de 2026 do First Championship, foi lançada a temporada 2026/2027: First Canopy, com foco em biodiversidade. Saiba mais aqui.
Veja o que os estudantes que representaram Brasília pensam sobre o mundial:
“O maior aprendizado que levo do torneio mundial é acreditar em si mesmo. Estar junto das melhores equipes do mundo é fantástico. Por isso, é preciso valorizar o trabalho do grupo, que foi de muito esforço e dedicação. Para a próxima temporada, em que o tema [biodiversidade] tem tudo a ver com o nosso país, eu espero que a Albatroid crie um projeto que represente a diversidade da natureza. E, claro, desenvolva um robô que se destaque, mais uma vez, como um dos melhores”, Isabela Brito, de 12 anos, membro da Albatroid e aluna do 7º ano do Ensino Fundamental do Sesi Taguatinga.
“O torneio mundial de robótica é a porta de entrada para diversos países. Em um mesmo local é possível ter contato com a Alemanha, o Canadá e o México, por exemplo. São pessoas e culturas que eu jamais imaginei ter a chance de conhecer um dia. Foi a minha primeira viagem internacional, e eu fui muito feliz em estar ao lado da minha equipe e ter conquistado isso por mérito próprio. A classificação para o mundial reflete a vitória dos treinos, dos estudos e das pesquisas que realizamos. Para a temporada 2026/2027, o meu desejo é levarmos para o Brasil o prêmio de Sustentabilidade, que destaca as soluções de impacto ambiental e social”, Mariana Soares, de 16 anos, integrante da Robot’s District e aluna da 2ª série do Ensino Médio do Sesi Taguatinga.




